Sessão da Classe apresenta: POR FAVOR, SUCESSO!!! por Camilo de Lélis


A palavra sucesso vem do latim (successu): aquilo que sucede, acontecimento, parto, caso, fato, êxito, resultado. Insucesso ou fracasso – seu antônimo – é o que não sucede, não acontece – um aborto -, algo que nem chega a acontecer; portanto, só seria insucesso, uma peça que é ensaiada, mas não vem a estrear.
Sucesso não é necessariamente um bom acontecimento: pode haver bom sucesso e mau sucesso. Dependendo do ponto de vista, um bom sucesso para uns seria um mau sucesso para outros, por ex: o “Big Brother”, que para a maioria dos telespectadores é um acontecimento bom, para uma minoria, é um mau acontecimento, que traz emburrecimento à população.
Assim, a palavra sucesso, que é um substantivo, aceitaria vários adjetivos sobre si: belo, feio, bom, mau, curto, rápido, longo etc. Entretanto, tornou-se, pelo uso e até pelo dicionário, sinônimo de resultado “feliz”, assim como “êxito” ou “fortuna”, que as pessoas esquecem que podem ser algo mau e só os entendem pelo lado positivo. Por ser viva, a língua vai mudando, mas saber a origem das palavras ajuda bastante a compreender as coisas.
Resumindo, todo o artista que dá a luz a um trabalho, atinge um sucesso (acontecimento), porém este poderá ter bom ou mau reconhecimento. Por isso, qualificar de bom ou mau o sucesso de um espetáculo é, no mínimo, muito relativo. Podemos considerar, pela quantidade de público, um sucesso bom? Ou, seria pela qualidade do espetáculo? Aqui a coisa se estreita em referenciais bem diversos. Ora, dois sucessos bem diferentes podem, algumas vezes, vir a se somar numa única peça e ela terá sucesso de público e sucesso de crítica. E sucesso, assim, é o sonho de todo artista.
Vejamos: bom sucesso de público (ou, apenas sucesso, para simplificar) é fácil determinar. É só contar o resultado no borderô. Sucesso de crítica é o que vai qualificar a peça de boa ou ruim, independentemente de que ela leve milhares de pessoas ao teatro, ou que a casa esteja vazia. Sucesso de público é algo palpável, visível, são as filas diante do teatro. Já o sucesso de crítica depende de algo bem subjetivo. Vale a tendência, a política, a intriga, ou o prestígio que alguém adquire para ditar a qualidade e o bom gosto em termos de arte.
A única maneira de nos livrarmos dos vampiros da crítica é, depois de mordidos por eles, tornarmo-nos críticos também; críticos a disseminar, por aí, outros conceitos do que pode ser bom ou mau. É o que está acontecendo em Porto Alegre. Vários artistas começam a escrever e a opinar sobre teatro, para que o pensamento crítico não fique, unicamente, à mercê de alguns. A saída é a diluição do malefício. Se alguém diz “A”, por isso ou aquilo, também posso dizer “não A”, por isso e também por aquilo. Já que a época é de sofismas, o melhor é conhecer as armas da oratória. Simplesmente, porque tudo depende. Sim, desde Einstein, o universo prende-se somente à relatividade, então se vc diz “gosto”, posso dizer “não gosto”, apenas isso, mais nada.
Quanto ao sucesso: todas as minhas peças foram sucesso, pois as fiz, dei-lhes a luz, pari-as em parceria com outros artistas das artes cênicas, que comigo “copularam mentalmente” para suas concepções. Algumas levaram muito povo ao teatro. Em outras, nenhuma gente havia na plateia. Fiz teatro, isso basta. Nisso sou bem sucedido.
É preciso ir adiante nesse raciocínio e chegar a outro substantivo que é “reconhecimento”. Porque queremos sucesso? Porque clamamos aos deuses: “Por Favor Sucesso!” ? Vamos entrar na sociologia e na psicanálise. Pois é…depois eu sigo adiante. Ou, melhor, o leitor, se quiser, poderá seguir a partir daqui.

Camilo de Lélis, Diretor de Teatro.

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2 comentários em “Sessão da Classe apresenta: POR FAVOR, SUCESSO!!! por Camilo de Lélis

  1. Uma pena que os críticos, ainda prendam-se aos seus conceitos pessoais e não ao conceito coletivo, como se o conceito coletivo fosse ingênuo e o seu próprio conceito seja o válido. É bom lembrar que se EU não gosto de um espetáculo, não significa que este espetáculo seja ruim. É importante ter o dissernimento de que quando um espetáculo é bom (e entendo "bom" por um espetáculo técnicamente e artísticamente bem construído, independente da técnica usada), não interessa se ele é bom PARA MIM. O que realmente interessa é se ele está CORRETO. Ponto e basta. E este CORRETO também parte de quem o concebeu. Se quem o concebeu o considera correto, o Sucesso começa aí. Se vai fazer sucesso com o público (o único sucesso que me interessa, pois faço teatro pra o público), é um risco que corremos sempre que botamos um espetáculo na roda viva da vida… Mas isso já é um outro papo…Abraço Camilo… Merda sempre!

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