Mais Teatro Entrevista: Clóvis Massa, diretor do espetáculo Fassbinder – O pior tirano é o amor


Clóvis Massa diretor do espetáculo Fassbinder - O pior tirano é o amor

Foto Arquivo pessoal

Clóvis Massa é ator, diretor, pesquisador e professor gaúcho. Natural de Porto Alegre, Clóvis é graduado em Artes Cênicas e Habilitação em Interpretação Teatral pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Mestre em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e Doutor em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Clóvis atuou em peças como Ideologia, Marxismo e Rock’n’Roll de Tom Stoppard, Burgueses Pequenos de Václav Havel e As Traças da Paixão de Alcides Nogueira.

        Em seu trabalho atual, Fassbinder – O Pior Tirano é o Amor que entra em cartaz hoje (12.06) no Teatro Renascença, Clóvis nos conta como é a experiência de dirigir o espetáculo inspirado na vida e obra do cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder.

MaisTeatro – Como surgiu a ideia de montar um espetáculo baseado na biografia do cineasta Fassbinder?

Clóvis – Quando li sua biografia, fiquei impressionado com a riqueza de experiências pelas quais o realizador passou. Fassbinder conseguiu manter os mesmos atores em filmes e espetáculos durante boa parte de sua trajetória artística. As relações humanas retratadas em suas obras, as formas de poder que ele expunha em produções como As Lágrimas Amargas de Petra von Kant ou Lili Marleen estavam presentes nas relações entre ele e sua família, como ele chamava os atores. Homossexual assumido, apesar de ter se relacionado também com suas atrizes e ter chegado a se casar oficialmente com uma delas, a proposta de montagem do espetáculo ficou mais clara quando percebemos, Diones Camargo e eu, que frequentemente se borrava a linha entre ficção e realidade, visto que uma dimensão influenciava constantemente a outra.

 

MaisTeatro – Como é dirigir uma peça cujo o personagem principal, Rainer Werner Fassbinder, é uma personalidade tão complexa e polêmica?

Clóvis – Durante o processo de construção, no qual o dramaturgo, os atores e eu trabalhamos colaborativamente, buscou-se elucidar como ele se relacionava com essas pessoas e respeitar sua trajetória artística, sem que, para isso, fosse preciso respeitar a linearidade da narrativa. Como seria impossível expor toda a sua vida, aliás, nem tinha interesse de fazer isso, encontramos momentos de crise ou satisfação pessoal que serviram para nos nortear sobre o que se deter em suas ricas experiências ao longo de sua carreira. A particularidade da direção, nesse caso, e o desafio, foi encaminhar todos os integrantes para que a narrativa contivesse camadas, e não planos. Camadas de histórias que pudessem se articular ao mesmo tempo e que dessem uma dinâmica fílmica à peça. Trata-se de uma dramaturgia da cena. Se a peça já tivesse sido escrita desde o começo dos ensaios, isso somente precisaria ser compreendido pelo elenco, mas chegamos a isso durante o processo, o que foi bem complicado.

 

MaisTeatro – Como foi a escolha do dramaturgo para trabalhar com você nessa montagem?

Clóvis – Como ele já havia trabalhado com biografias em peças anteriores, convidei o Diones Camargo para entrar no projeto e me surpreendi que ele já tivesse feito, anos antes, uma pesquisa sobre Fassbinder com o intuito de escrever uma peça. Foi um acaso feliz, como diziam os dadaístas. E a experiência dele em trabalhar com uma narrativa com diferentes planos ajudou nessa busca de encontrar uma história em camadas.

Cena do espetáculo Fassbinder - O pior tirano é o amor

Foto Regina Protskof

MaisTeatro – A estética adotada nesse trabalho teve desejo de se comunicar com a visualidade dos filmes do Fassbinder?

Clóvis – Com certeza, mas com o objetivo de recriá-la, não de imitá-la. Um dos procedimentos mais empregados pelo realizador é o da colocação da posição da câmera, de maneira que entre o ator e a câmera houvesse um objeto, uma porta entreaberta, uma janela. Daí os atores são vistos parcialmente atrás de folhagens, marcos de portas, etc. A noção de anteparo foi importante para que o cenário do Rodrigo Shalako promovesse não apenas a dinâmica do espetáculo, mas sua utilização para dar esse efeito.

MaisTeatro – Qual experiência o espetáculo pretende transmitir ao público?

Clóvis – De lidar com diferentes modos de ver o real e a ficção: em alguns momentos, a vida dele se alterna com sua criação artística no teatro e no cinema; em outros, ambas se fundem ou se duplicam. A estreia no Teatro Renascença é um avanço nessa concepção. Agora, temos os recursos de iluminação técnica e projeção que pretendíamos, que numa sala de pouca profundidade, como a que tínhamos tido acesso, não foi possível realizar. A concepção de luz do Lucca Simas e as projeções do Maurício Casiraghi, agora intensificadas, são imprescindíveis para isso. Ainda que eu saiba que teatro é assim mesmo, que está sempre se alterando, voltar em cartaz agora é como se fosse uma nova estreia.

MaisTeatro – Como foi sua experiência na direção desse espetáculo? Você tem algum novo projeto de direção em vista?

Clóvis – A experiência foi ótima. A gente se aprimora entre um espetáculo e outro, dificuldades pelas quais se passou antes são previstas e novos desafios surgem. Mas faz parte, não? Tenho um novo projeto em vista. Com menos pessoas. Espero desta vez não aumentar o elenco durante seu processo, o que já tinha prometido fazer, desde A Bilha Quebrada. (Risos) As pessoas me conhecem mais como professor de teatro, mas vou continuar dirigindo. É minha lua em Áries. Encontro satisfação vendo os sonhos se realizarem.

Fassbinder – O pior tirano é o amor 

Local: Teatro Renascença

Datas: de 12 a 28 de junho de 2015  

Horário: 20h –  Sextas, sábados e domingos

Duração: 100 min

Classificação Indicativa: 16 anos 

Ingressos: 

inteira R$ 30,00

meia R$ 15,00 (idosos, estudantes e classe artística)

Demais informações sobre o espetáculo clique aqui!

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