Grandes bênçãos, daDivas Preciosas


◈  Local: Sala Álvaro Moreyra.
  Dias:
7,14,21 e 28 de março, às 20h.

  Duração: 45 minutos.
  Indicação: a partir de 16 anos.
  Entrada: inteira R$ 20.

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Foto Qex Bitencurt

O espetáculo GRANDES bênçãos/daDIVAS preciosas surge, num primeiro momento, do encontro do ator Lauro Fagundes com a obra de Beckett na antológica montagem de Oh, os belos dias dirigida por Rubens Rusche que trazia a incrível Sandra Dani como Winnie. Devido a grandes adaptações, inserções de outros textos e ressignificações de contextos, ao encontrar a direção de Ricardo Zigomático, eleva-se o texto de Beckett ao patamar de inspiração. Reconhecendo as demandas da personagem principal da obra, que além de mulher é também uma senhora encontrando a terceira idade, em contraponto ao ator – homem e possuindo 20 anos, na época. Deste modo a obra posta em cena não retrata, necessariamente, a literatura do autor. 

É inegável a importância do dramaturgo irlandês, um dos autores mais férteis do século passado, cuja obra nos atinge em cheio na atualidade. Partimos dele para abordar temas como o envelhecimento, o amor pela vida, o medo e a fissura pela morte, a juventude, a passagem do tempo a partir da fala dessa única criatura, que também são várias – dentro de um universo de grandes divas do teatro. 

Um papel interpretado por grandes atrizes. Atrizes vitais que para dar carne a esse papel precisam fazê-lo de corpo inteiro. Atrizes mais velhas e talvez por isso, mais vitais. Tornar-se artista, tornar-se artista como elas é aprender a celebrar o que é viver uma vida. Em contraponto a elas temos uma personagem beckettiana que representa a repetição infinita de momentos moribundos em vez da morte em si. Recorrente no dramaturgo, seus personagens desejam terminar a vida, mas o fim nunca vem porque o relógio se torna mais lento e mais lento. Em nossa maioria nunca compreendemos como nós terminamos em uma rotina, ou preso na lama para usar metáforas semelhante à terra.

Em nossa montagem utilizamos reflexões acerca da vida, da morte e do amor de nomes sagrados da historia do teatro brasileiro tais como Dercy Gonçalves, Bibi Ferreira, Fernanda Montenegro, Marília Pêra…  Misturados a uma essência perturbadora nas falas de Winnie.

Em cena um único ator e um vestido que toma conta da caixa cênica sem que se possa enxergar seu final. Em substituição à montanha onde Winnie está enterrada, aqui esta é enterrada no seu próprio vestido, de um glamour decadente. A luz, bem marcada, ajuda a definir as mudanças de figuras pelas quais o ator passa ao longo do espetáculo. Os figurinos também contam com dois uniformes do colégio militar- um de gala e outro diário cheio de frases escritas.

GRANDES bênçãos/daDIVAS preciosas leva a cena um diálogo entre masculino e feminino, velhice e juventude, vida e morte em uma experiência em que a ética não está dissociada da estética. Uma declaração de amor ao teatro, às grandes atrizes, mas também ao envelhecer, à beleza do passar do tempo e à própria vida.

Texto: Lauro Fagundes e Ricardo Zigomático
Direção: Ricardo Zigomático
Atuação: Lauro Fagundes
Concepção e Operação de luz: Casemiro Azevedo
Cenário e Figurino: Débora Maier e Douglas Dias
Fotos: Qex Bitencurt

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