Clássicos da Mímica


  Local: Teatro Renascença.
  Dias:
 3 e 4 de junho, sábado e domingo, às 20h.

  Duração: 50 minutos.
  Indicação: a partir de 10 anos.
  Entrada: R$ 20 inteira, venda online aqui.

Clássicos da Mímica 2
Foto Isabelle Neri

O espetáculo “Clássicos da Mímica” foi criado a partir da estrutura clássica dos espetáculos de cabaré, music-hall e circo. Não existe uma história alinhavando o espetáculo, são esquetes conduzidos pelo personagem Extrabão, uma mistura de anti-herói e palhaço mímico.

São esquetes inspirados em temas clássicos da pantomima, porem recodificados, revisitados a partir de uma mistura de linguagens, apresentadas pelo personagem Extrabão, tais como: a dança, o jogo do palhaço, a mágica, a utilização dos objetos como parceiros cênicos, o uso das onomatopeias, ruídos e palavras cantadas que auxiliam no jogo cênico e corporal.

Como temas clássicos temos a “Parede”, onde o personagem se vê preso dentro do próprio quarto, temos aí a criação das paredes através da ilusão da pantomima em conjunto com uma movimentação de dança moderna ao som da música “O Que” do
grupo de rock Titãs. Outro número, “O Halterofilista”, mescla pantomima com situações palhacescas e participação do público, onomatopéias e grômelos – linguagens inventadas. O esquete da “Limpeza”, que utiliza a manipulação de objetos e por fim o número da dança – “Tango”, com uma mulher invisível, onde existe uma mescla de mímica de ilusão, teatro gestual e humor.

Mesclando com estes temas clássicos, temos o número de mágica da bola zumbi, que tem forte apelo visual e gestual, que também é um número clássico no universo da magia, porém revisitado, onde a tradicional bola zumbi de cor metálica transforma-se numa bola de futebol, e o tradicional lenço preto que “a sustenta”, transforma-se
na bandeira do Brasil. Além da Bola Zumbi, o espetáculo utiliza a relação do objeto real com a mímica de ilusão, como os números clássicos do balão e da mala.

A palavra mímica vem do grego mimesis, tendo uma importância fundamental na Poética de Aristóteles. Ele diz que o “imitar é congênito no homem” (Poética, 1448 a, II, §13). Há na espécie humana a tendência natural para o imitar. Ele se utiliza da imitação para adquirir as primeiras noções sobre a vida. Esta imitação vai além da corporal. Passa pela imitação verbal, as atitudes e todo um compêndio de conhecimentos e saberes.

Pelo aspecto estético, da linguagem artística, a mímica confunde-se desde os primórdios da civilização grega com a Pantomima. A palavra pantomima vem do latim PANTOMIMUS. Pantomimo, “ator”, literalmente “aquele que imita tudo”, formada por PAN, “todos”, mais MIMOS, “imitador”, de MIMESTHAI, “imitar, arremedar”.

A “arte de imitar, arremedar” sempre esteve presente no arsenal de habilidades dos “fazedores de riso” de todos os tempos e culturas: menestréis, jesters, bobos da corte, bufões, zannis, palhaços, etc… A própria pré-formação do clown, que se dá início no final do século XVIII na Inglaterra, tem fortes influências das pantomimas inglesas e da grande tradição da pantomima francesa, que tem em Jean-Gaspard Deburau (1796-1846) seu grande baluarte na primeira metade do século XIX.

Enquanto codificação desta linguagem o primeiro grande nome será o francês Étienne Decroux (1898 -1991) considerado o “pai” da mímica moderna, criando o que ele chamou de “mímica corporal”. Entres seus grandes discípulos temos Marcel Marceau (1923-2007), responsável pela retomada da tradição da pantomima francesa do século XIX, e também responsável por difundir a pantomima pelos quatro cantos do planeta. Outra grande responsável por difundir a mímica corporal de Decroux, assim como a própria pantomima, foi o mímico e ator Jean Louis Barrault (1910-1994), protagonista de um dos maiores clássicos do cinema francês “ Les Enfants Du Paradis”, traduzido para o português como “Boulevard do Crime”, filme de Marcel Carnê (1906-1996), que aborda a vida do mímico Jean Gaspard Debureau. No meio de Decroux e Marceau, que
tinham a mímica corporal e a pantomima como um fim, temos Jacques Lecoq (1921-1999) que cria, por assim dizer a terceira grande linha de mímica, o qual ele nomeia como “Teatro Gestual”, busca estética esta, que tem a mímica e a pantomima, como um
meio de expressão do ator. Lecoq fundamenta seu estudo e método na prática com as máscaras: neutra, larvária, expressiva, commedia dell’arte, bufão e clown, sempre associadas a expressividade gestual e física, mas também verbal.

No Brasil a arte da mímica teve alguns nomes que alavancaram esta linguagem em “terras brasilis”, porém sempre de forma esporádica e sem continuidade. Nos seus primórdios temos Luis de Lima (1925-2002), que encena pela primeira vez um mimodrama no Brasil em 1952. Ricardo Bandeira (1936-1995) foi o grande nome na década de 70 onde através de seus cursos, surgiram vários novos nomes no panorama da pantomima clássica, linguagem que ele mais difundiu. Já no início dos anos 80 temos o revigoramento da mímica através da atriz Denise Stoklos, que propõe novos caminhos para a mímica e Luís Otávio Burniê, que volta da França no início dos anos 80, onde foi assistente de Decroux e dá início a formação do grupo Lume/Campinas.

Também de 1986-1988, Gabriel Guimard, em parceria com a Aliança Francesa e o Sesc Pompéia, cria o Festival de Mímica de São Paulo, evento inédito que reúne os mímicos brasileiros da época.

Hoje temos poucos representantes desta arte, ou que mesclam a mímica com outras linguagens, porisso acreditamos que o espetáculo Clássicos da Mímica mais do que um resgate é uma forma de revigoramento das possibilidades desta arte, na mesma medida que jovens palhaços que não vieram de famílias circenses tiveram a oportunidade de revigorar números e entradas clássicas de palhaços de circo.

O espetáculo também por suas características humorísticas e estrutura de esquete consegue abranger um público muito heterogêneo, tanto no aspecto etário, como socioeconômico. Um espetáculo popular, sem cair no popularesco e nem apelos mediáticos, que aponta caminhos para jovens atores e artistas assim como pode ser “saboreado” pelo Homem comum, não acostumado a freqüentar o teatro.

Outro ponto positivo do espetáculo, é que ele pode ser apresentado em espaços multiusos: salões, espaços de convivência e naturalmente em teatros.

Direção: Gabriel Guimard.
Assistente de direção: Nora Prado.
Figurinos: Nora Prado.
Em cena: Gabriel Guimard.
Duração: 50 minutos.
Faixa etária: livre.

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