Confira a programação do Em Cena nos Palcos Municipais


CRÉPUSCULE DES OCÉANS
Teatro Renascença

12 e 13/09 – sáb e dom às 18h30
Última obra da trilogia do coreógrafo canadense Daniel Léveillé (Amor, acide, et noix; La pudeur des icebergs), esta montagem foi bastante elogiada por seus raros movimentos, baseados nos mecanismos mais simples do corpo humano, sem qualquer teatralidade, mas nem por isso mais fáceis de executar. O coreógrafo optou por corpos musculosos onde cada movimento pode ser percebido. Os bailarinos entram em cena nus ou com roupas de baixo e executam com maestria movimentos ora sutis, ora enérgicos. Tudo sob a trilha sonora das Sonatas Para Piano, de Beethoven, que dão o clima que a peça essencialmente lírica pede. Léveillé é um dos mais conceituados coreógrafos canadenses e sua marca é o vigor físico que imprime a seus bailarinos. A apresentação encantou o curador Luciano Alabarse, que a assistiu em Montreal e recomenda o espetáculo com entusiasmo.
TEMPO FRAGMENTO
Sala Álvaro Moreyra
11/09 – 6ª às 23h

As escolhas permanentes impostas às pessoas e os questionamentos que derivam dessas escolhas são o mote principal de Tempo fragmento, a mais nova criação do renomado bailarino e coreógrafo pernambucano Ivaldo Mendonça. O contraste entre os corpos quase imóveis e movimentos velozes, o desafio à gravidade e a busca tênue pelo equilíbrio estão presentes nessa bela montagem. No palco três bailarinos – entre eles o próprio diretor -, se multiplicam em solos, duos e trios, interagindo entre eles e ensaiando um “namoro” com a tecnologia em uma das cenas, onde usam o recurso do bluetooth. Também pela primeira vez uma trilha sonora é especialmente composta para um espetáculo de Ivaldo. O músico Júlio Moraes criou uma trilha percussiva, pontuada por ruídos de sons diversos, de água até a música eletrônica.

ATO
Sala Álvaro Moreyra
13/09 – dom às 23h
O encontro de quatro personagens num universo inóspito, onde as boas condições de vida e a esperança de dias melhores estão escassas, é o mote para esta comédia sombria do grupo pernambucano Magiluth, que vem trilhando o rico caminho da pesquisa e da experimentação. Prêmio de melhor espetáculo e melhor maquiagem, no festival pernambucano Janeiro de Grandes Espetáculos, de 2009, a peça coloca em cena o jogo de poder e o sadismo desses homens aprisionados no tempo, amarelados, esquecidos. Lançando mão de uma linguagem gestual e unindo conceito, técnica e poesia, o grupo busca um trabalho de interpretação baseado na arte do clown, aliado a influências visuais expressionistas de desenho animado e quadrinhos. Assim, constrói a ótica do palhaço que brinca com suas próprias mazelas, dando-lhes um corpo lúdico e poético.
A MAR ABERTO
Teatro de Câmara Tulio Piva
10 e 11 /09 – 5ª e 6ª às 22h

Apanhado numa rede de emoções além da sua compreensão, um homem luta para se desvencilhar de seu desejo, num intenso conflito emocional que se desenrola ao sabor das ondas, em mar aberto. Preconceito, religiosidade, rudeza e culpa, estão presentes no espetáculo dirigido por Henrique Fontes e produzido em conjunto com o Coletivo Artístico Atores à Deriva. A mar aberto é livremente inspirada na obra Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa e, desde que estreou, em 2008, já esteve em importantes festivais no nordeste brasileiro, como o de Pernambuco, Garanhuns e Cariri.
SENHORA DOS AFOGADOS
Teatro de Câmara Tulio Piva
12 e 13/09 – sab e dom às 22h
O diretor paulista Zé Henrique de Paula ousou nesta montagem de Nelson Rodrigues e foi bastante elogiado pela crítica brasileira. O espetáculo está ambientado no século 19, o que reforça ainda mais o atrito entre instinto e convenções sociais. A história da família Drummond, em cujo sangue corre desejo e repressão, é contada aqui de forma surpreendente e lírica, entremeada por 11 canções que atuam como porta-vozes dos desejos e fluxos de pensamento dos personagens. O pai é acusado de assassinato, a mãe sofre com falta de amor, a filha quer ser a única mulher da família. Esta tragédia escrita em 1947 está intacta e traz a densidade característica do universo do dramaturgo, além de um ótimo elenco.
DESVARIO
Teatro de Câmara Túlio Piva
15 de setmbro, 3ª feira às 22h
Inspirado no humor inédito e absurdo do dramaturgo chileno Jorge Diaz, o texto retrata a crise de identidade, a incapacidade de estabelecer relações e a conseqüente solidão. A ação se passa em um aeroporto qualquer onde um homem, sem saber se está de partida ou de chegada, tenta resolver os problemas de seu desgastado casamento. Surge então um suposto amante de sua esposa reivindicando o lugar de chefe da família. A relação entre os três se complica ainda mais com a chegada de uma excêntrica cantora lírica, que diz não saber ao certo quem é. Juntos, os quatro personagens se reconhecem e se estranham, empreendendo uma luta contra a solidão e a incomunicabilidade do mundo em que vivem. Instigante, a montagem tem arrancado muitos elogios pelo trabalho de direção.
MEDIDA POR MEDIDA
Teatro Renascença
15, 16 e 17 de setembro – 3ª, 4ª, e 5ª às 18h30
Gilberto Gawronski gosta de desafios e, justamente por isso, decidiu dirigir pela primeira vez uma peça de William Shakespeare, aliás, primeira montagem desse texto que se tem notícias do Brasil. A comédia Medida por medida tem o elenco integralmente masculino composto por 13 atores, com as personagens femininas também interpretadas por homens. A escolha do elenco traz um elemento de comicidade e faz referência à época do autor, quando não havia mulheres nas encenações. Comportamento, sexualidade, erotismo e hipocrisia do poder são linhas condutoras da peça passada em Viena, cuja primeira montagem data de 1604, na Inglaterra. Gilberto Gawronski tem uma carreira repleta de momentos poéticos, de extrema sensibilidade, que marcaram as produções brasileiras contemporâneas. A montagem do texto Na solidão dos campos de algodão, de Bernard Marie-Koltès, no 2º Porto Alegre em Cena, comoveu e encantou o público que lotou o teatro em todas as sessões programadas.
LA MADRE IMPALPABLE
Sala Álvaro Moreyra
16, 17, 18 de setembro – 4ª, 5ª e 6ª às 23h
A mãe, como muitas que vemos diariamente em saídas de colégios, vai à escola de seu filho para queixar-se que ele sofre discriminação por ser gordo. Isto a leva a interferir numa reunião de pais, a abordar o professor de ginástica, a psicopedagoga e outros desafortunados que cruzam seu caminho, numa cruzada tanto patética quanto engraçada. A atriz Jorgelina Aruzzi foi elogiada pela criação de sua “madre impalpable” na comédia dramática que traça um perfil da classe média argentina (e, porque não dizer, de tantos outros países?), que insiste em dar aos professores a tarefa de educar seus filhos e colocar-lhes os limites. Os filhos, por sua vez, tentam sobreviver às trapalhadas de suas mães e de seus professores, todos tão perdidos quanto eles próprios.
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