AULA INAUGURAL DA ESCOLA DE ESPECTADORES 2015


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A aula inaugural da EEPA será realizada  dia 24 de março, às 20h, no Teatro Renascença, tendo como  espetáculo tema   Oh! Os Belos Dias. Com os convidados: Sandra Dani e Luiz Paulo Vasconcelos e apresentação de um vídeo com o diretor Rubens Ruche.

A Escola de Espectadores de Porto Alegre (EEPA) promove encontros quinzenais para discutir montagens em cartaz na capital gaúcha. As atividades são gratuitas e incluem conteúdos teóricos, palestras, discussões e leituras dramáticas. Não se exigem pré-requisitos dos alunos.  Criada em 2013, a escola se inspira nas ideias e experiências do pesquisador argentino Jorge Dubatti para capacitar os espectadores a assumirem um papel ativo e crítico no processo artístico. A EEPA é um projeto da Coordenação de Artes Cênicas da PMPA coordenado por Renato Mendonça. Para mais informações, visite nossa página no Facebook, buscando por “Escola de Espectadores”, ou envie email para cac@smc.prefpoa.com.br, para fazer sua inscrição.

O espetáculo estará em cartaz de 12 a 22 de março, de quintas a domingos, às 20h, no Teatro Renascença, sendo que no último dia, 22 de março, a entrada será franca, em homenagem a 56ª Semana de Porto Alegre, com distribuição de senhas no local, 1h antes.

Depois de se apresentar no 20º Porto Alegre em Cena, a atriz Sandra Dani volta aos palcos da capital no papel de Winnie do espetáculo Oh!Os belos dias, adaptação da obra Dias Felizes de Samuel Beckett. A grande dama do teatro gaúcho fez longa temporada em São Paulo, o que a rendeu a indicação de melhor atriz pelo Prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte.

A direção é assinada pelo paulistano Rubens Rusche, especialista na obra de Beckett e também indicado ao prêmio APCA, que traz à cidade depois de Peter Brook e Bob Wilson a sua elogiada concepção desta que é a obrado dramaturgo remonta com mais frequência.Ao lado de Sandra, no papel de Willie, está Luiz Paulo Vasconcellos, outro grande nome das artes cênicas no país.

Não é a toa que, juntos, recebem inúmeros elogios pela linda montagem da obra beckettiana, cuja cena representa um lugar desérticoonde se eleva um pequeno monte de onde emerge o tronco de uma mulher, Winnie, enterrada até a cintura. Brutalmente despertada pelo som estridente de uma campainha, ela saúda esse “dia divino” e, retirando uma escova e uma pasta de dentes da sacola que se encontra ao seu lado, põe-se a escovar cuidadosamente os dentes. Durante todo o primeiro ato, ela se dedica assim a suas tarefas cotidianas como se sua situação fosse absolutamente normal. Veste o chapéu, pinta os lábios, lima as unhas, faz o inventário de sua sacola, bebe o que resta de seu fortificante. Fala sem cessar com seu marido, Willie, oculto por detrás do pequeno monte, mas que, de quando em quando, ouvimos se mover, resmungar, tossir e assoar-se. Às vezes, Willie lhe responde com um monossílabo, lê em voz alta um trecho de jornal, exibe um cartão postal pornográfico, mostra a cabeça coberta por um lenço e um chapéu de palha. A tagarelice de Winnie tenta preencher as horas desse dia interminável. Tira da sacola um revólver, uma caixinha de música, outras tantas pequenas ninharias, na verdade pretextos para reflexões anódinas que reforçam o êxtase em que Winnie se deleita, incapaz, porém, de reprimir uma pequena e vaga angústia.

No segundo ato, o cenário é o mesmo, mas Winnie está enterrada até o pescoço. Ela não pode usar os braços. Apenas os olhos se movem em sua cabeça imóvel e voltada para frente. Não pode mais utilizar-se de seus pertences para passar o tempo. Restam-lhe apenas as palavras que acabarão por deixá-la também. Com certeza, ela não reza mais, mas ainda pode falar, contar-se histórias, evocar de novo a dupla de visitantes. Por sua vez, Willie não lhe responde mais; permanece invisível e silencioso, mergulhado, talvez, num profundo coma. De repente, alguns minutos antes do fim, o que ela não mais esperava sucede: vestido de fraque, cartola e luvas, Willie surge de gatinhas, arrasta-se na direção de Winnie, estende-lhe a mão, articula a primeira sílaba de seu nome e se imobiliza nessa postura: queria tocá-la ou se apoderar do revólver, e com que desígnio? A luz desce muito lentamente até escurecer, enquanto Winnie canta suavemente uma estrofe da valsa A viúva alegre, a mesma de sua caixinha de música.

Beckett não faz nenhuma tentativa de explicar a estranheza da situação de Winnie, simplesmente apresenta metáforas cênicas e cada um dos espectadores terá de fazer o esforço interpretativo. As lembranças de Winnie sugerem que nem sempre ela esteve enterrada nesse montículo de terra. Embora seus personagens pareçam possuídos por imagens específicas do passado, eles não examinam sua memória em busca de uma compreensão de sua situação presente. Essa situação é um dado, e a memória considera um outro tempo, um outro lugar, mas não estabelece uma conexão entre esse tempo e lugar e o momento atual, o espaço atual.

Oh! Os Belos Dias_foto Jean-Charles Mandou (2)

 

Ficha Técnica:

Autor: Samuel Beckett
Direção e tradução: Rubens Rusche
Elenco: Sandra Dani e Luiz Paulo Vasconcellos
Cenografia: Ulisses Cohn
Iluminação: Wagner Freire
Figurinos e visagismo: Leopoldo Pacheco
Aderecista: Viviane Ramos
Assistente de direção: Cláudia Maria de Vasconcellos
Fotografia: Jean-Charles Mandou
Vídeo: Samuel Rusche
Produção executiva: Johanna Rusche
Coordenação de produção: Rubens Rusche

 

Duração: 110 min

Ingressos: 

inteira R$ 30,00

meia R$ 15,00 (idosos, estudantes e classe artística)

Classificação Indicativa: 14 anos

 

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