O Chapeuzinho Vermelho


◈  Local: Teatro Renascença.
◈  Dias: 10 a 25 de junho, sábados e domingos, às 16h e às 19h.
  Duração: 50 minutos.
◈  Indicação: a partir de 7 anos.
  Entrada: R$ 30.

chapeuzinho-241 - foto Adriana Marchiori

Foto Adriana Marchiori

Espetáculo Chapeuzinho Vermelho é encenado para adultos e crianças na capital.

Peça com dramaturgia francesa inédita no Brasil propõe montagem para os dois públicos, com apresentações às 16h e às 19h no Teatro Renascença.

Pela primeira vez no Brasil é encenado o texto Chapeuzinho Vermelho de Joël Pommerat, com direção de Camila Bauer. A obra do autor francês já realizou mais de 800 apresentações na Europa, sendo um dos nomes mais relevantes da dramaturgia contemporânea mundial. A encenação brasileira propõe estética de teatro adulto ao mesmo tempo em que a fábula é pensada também para crianças e, segundo o psicólogo Pedro Lunaris, possuindo uma linguagem apropriada e envolvente ao mesmo tempo em que deixa certas conclusões a salvo para a leitura dos adultos. Enquanto o narrador conta a história, imagens e sons vão sendo produzidos diante do espectador por meio da dança, da transformação cenográfica, da música e do uso de microfones que permeiam o espetáculo.

Nesta linguagem híbrida, busca-se dialogar com as diversas idades de espectador, construindo um espetáculo com distintas camadas de leitura. A obra propõe-se a ser uma “iniciação ao medo”, como define o próprio Pommerat, na medida em que vemos uma Chapeuzinho que deseja sair de casa e iniciar-se na vida adulta, que tanto lhe fascina e apavora. Depois de muitos alertas da mãe quanto aos perigos da vida e da estrada, a menina acaba defrontando-se com o desconhecido, com tudo o que o caminho e o lobo representam, com este ritual de passagem que o enfrentamento dos nossos próprios medos pode nos propiciar. Segundo o autor, muitas vezes protegemos demais as crianças na tentativa de que elas não sintam medo, buscando evitar ao máximo seu contato com suas limitações e obscuridades. Isso corrobora na formação de adultos com dificuldades de lidar com seus temores, sentindo-se acovardados diante dos riscos da vida. Para Pedro, o teatro é um lugar seguro para que estas experiências possam acorrer, estando a criança protegida pelo terreno ficcional e lúdico que o teatro engendra. Ao sair do espetáculo, ela poderá conversar com seus pais a respeito do que mais lhe tocou, com a segurança de tratar de uma obra de faz-de-conta.

O espetáculo propõe o encontro da criança com o risco frente ao desconhecido, tratando de temas como o medo, o fascínio da passagem do mundo infantil ao adulto, a solidão e as relações familiares. São três gerações de mulheres solitárias: a menina, a mãe e a avó. Além destas temáticas, uma segunda camada de leitura é proposta ao público adulto, englobando questões como o abandono, os jogos de sedução, a manipulação e a manifestação de nossas sombras (nossas próprias obscuridades, nossa face mais subjetiva e escondida, mas que também nos caracteriza). É na ruptura destas dualidades que a linguagem do espetáculo se constrói. Para a psicóloga Camila Noguez a peça apresenta possíveis recursos de acesso a medos, coragens e ancoragens conforme a condição e a disponibilidade de cada espectador. Recursos a nós, inclusive, crianças que cresceram.

De maneira inédita na capital, o espetáculo Chapeuzinho Vermelho subverte os horários tradicionalmente destinados ao público de crianças e adultos, apresentando o mesmo espetáculo às 16h e 19h, permitindo que o público escolha em qual dos horários prefere assistir.

A peça é recomendada para público a partir dos sete anos. A montagem inaugura uma parceria entre o Projeto Gompa e a Rococó Produções Artísticas e Culturais.

Ao final da segunda sessão, sempre aos sábados, haverá bate-papo com o grupo e convidados.

Programação dos bate-papos:

10/06Teatro francês contemporâneo. Fronteiras entre teatro para adultos e crianças: o exemplo de Joël Pommerat. Com Clóvis Massa, Michele Rolim e Patrice Pauc.

17/06Diálogos entre teatro e psicologia. Os contos de fada e os espaços seguros para vivenciar nossos medos e desejos. Com Bodh Sahaj, Pedro Lunaris e Silvia Balestreri Nunes.

24/06A voluptuosa pele do imaginário. Entre o que se revela na encenação e o que é do imaginário de cada um: cruzamentos entre arte e filosofia. Com Adriane Mottola, Elcio Rossini e Mesac Silveira.

Página no Facebook.

Texto: Joël Pommerat.
Tradução: Giovana Soar.
Direção: Camila Bauer.
Elenco: Fabiane Severo, Guilherme Ferrêra, Henrique Gonçalves e Laura Hickmann.
Coreografia e preparação corporal: Carlota Albuquerque.
Preparação vocal: Luciana Kiefer.
Cenografia: Elcio Rossini.
Figurino: Daniel Lion.
Iluminação: Thais Andrade.
Maquiagem: Luana Zinn.
Criação e confecção de máscara: Diego Steffani.
Identidade visual: Jéssica Barbosa.
Psicólogos colaboradores: Bodh Saraj, Camila Noguez e Pedro Lunaris.

Apoio: Centro Cultural Erico Veríssimo e Natureza Restaurante Vegetariano.

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